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Pois eis que o STF resolveu soltar o tal Battisti. Eis que a Itália, Gilmar Mendes e Berlusconi contestam a decisão do STF. Mas afinal, o que foi que fez, esse Cesare Battisti?!

Cesare Battisti

Cesare Battisti é acusado de ter matado 4 pessoas. Foi condenado na Itália, local onde, em tese, teria cometido esses crimes. E o leitor que agora se pergunta porque raios eu coloco condicionais na frase deveria se perguntar algo um pouco maior: porque raios Cesare Battisti teria matado alguém?!

Voltemos um pouco no tempo {{é uma metáfora, não tenho máquina do tempo, ainda}} para saber o que diabos estava rolando na Itália nos tais anos 70:


O período que se convencionou na Itália chamar de “anos de chumbo”, nome inspirado no filme de Margarethe von Trotta, vai aproximadamente de 1968 até o início da década de 80. Naquela época, o Estado italiano estava fragilizado, não apenas pelas frágeis estruturas decorrentes de sua tardia formação, apenas no final do século 19, mas também pelos efeitos da derrota do país na 2ª. Guerra Mundial, quando formou parte das chamadas Potências do Eixo, bem como porque era um peão dos EUA na chamada guerra fria.

Sucessivos governos italianos alternavam-se no poder, às vezes em questão de apenas dias
(...)
No vazio de poder, instalou-se o caos. A política institucionalizada perdeu totalmente a credibilidade. Nesse clima, logo surgiram forças políticas de esquerda e de direita, que formaram organizações revolucionárias. Na esquerda estavam, dentre outras, as Brigate Rosse (BR), os Nuclei Armati Proletari (NAP) e os Proletari Armati per il Comunismo (PAC).
{{Os grifos são meus - não acredite em mim - Última Instância}}

Havia, portanto, uma espécie de Guerra Civil {{a direita italiana se recusa a dizer guerra civil, motivo pelo qual incluí o 'espécie'}}. O que ocorre é que Battisti fez parte de um destes grupos. Provavelmente matou gente, embora não seja possível afirmar.


O sujeito da foto acima foi morto por militantes de esquerda, gente que fazia algo parecido com o que Battisti fazia. Numa luta armada. Aqui já havia a ditadura, lá, na Itália, como vimos, as lutas se sucediam em grupos de esquerda e direita.

O personagem da foto, morto por Battistis brasileiros, se chamava Boilesen. Seu maior feito? Depende para quem você pergunta. Um grande empresário, diria Berlusconi. Os de esquerda dirão que ele trouxe para o Brasil a pianola Boilesen:

Pianola de Boilesen, uma espécie de teclado que emitia choques elétricos em quem o premesse {{não acredite em mim - Documentário "Cidadão Boilesen"}}
Boilesen, como pode se ver no documentário linkado, tinha enorme apresso por assistir torturas. Tem gente que toma Chopp escuro às sextas de noite e tem gente que prefere assistir a sessões de tortura. Há quem ache que ele deveria ser preso e há quem pense que Boilesen deveria ser morto.

Fato é que não se pode chamar de terroristas os responsáveis pela morte de Boilesen, ainda que não se concorde com o assassinato. Não dá para tirar do contexto e simplesmente acusar os responsáveis pela sua morte de crime comum.

É exatamente esta a situação de Battisti. Há quem discorde da luta armada, mas compara-la ao terrorismo é, no mínimo, falta de conhecimento histórico. Com exceção da folha {{que nunca teve escrúpulos nem tampouco preocupação histórica, vide o caso da ditabranda}}, ninguém tem o direito de ignorar o fato de que o caso Battisti é de crime político e não de crime comum.

O Brasil fez bem de abrigar o cidadão. Falta só começarmos a destrancar os porões das nossas ditaduras, mas há tempo, o Brasil não vai esquecer das pianolas nem de tantos Herzogs.
O CQC, crítico político, tem feito inúmeras piadas machistas e de gosto duvidoso {{ao menos seus integrantes têm}}. Mas faz parte da política a auto-crítica?! Aparentemente não...

Crédito: não acredite em mim

Quando rolou o tal churrascão da #gentediferenciada e o CQC foi até lá cobrir, muita gente começou gritos, em coro, de "Fora CQC, não precisamos de vocês". O vídeo pode ser visto no post do #TeiaLivre {{não acredite em mim}}.

A matérias que foi ao ar, claro, não tocou no assunto, sequer cogitou mostrar. Mostrou-se uma edição onde o repórter foi brincalhão alegre, etc.

Até aí não vejo nenhum problema.

No entanto, algumas críticas {{pertinentes, no meu modo de pensar}} tem sido feitas com relações às piadas dos integrantes do programa. Já discuti aqui a questão do politicamente correto no humor, não sou chato nem acho que piadas precisam ser educadas, como pode ser lido no tal artigo. Mas daí a dizer que estupradores devem ser abraçados...


Quem disse isso foi Rafinha Bastos em seu 'show de humor' {{publicado na Revista Rolling Stones, tá tudo lá, no post que linkei acima sobre o humor}}. Nenhum pedido de desculpas ou mesmo explicação foi dada. Simplesmente ignorou-se a opinião pública {{revogam-se as disposições em contrário?!}}.

Pois eis que no último sábado ocorreu a "Marcha das Vadias" {{com intuito de criticar o machismo que culpa a mini-saia pelos estupros, leia mais no #TeiaLivre -> não acredite em mim}}. A marcha, como era de se esperar fez duras críticas ao machismo {{no que tem total razão, diga-se}}. Você pode concordar ou não com as críticas feitas {{sugiro que concorde}} ao CQC e ao programa, mas não pode ignorar o fato do alvo ter sido o próprio CQC:

Crédito: Matheus Chiaratti roubado do blog da  @Vleonel - não acredite em mim
O crítico CQC, o político CQC, simplesmente ignorou a passeata ocorrida no último sábado. O programa não tocou no assunto como se fosse possível ignorar que todos os cartazes da marcha foram colados na porta do clube de comédia de dois dos seus integrantes.

Há ainda uma denúncia do blog "Escreva Lola Escreva" {{não acredite em mim}} dizendo que Marcelo Tas quer processar a blogueira por conta das críticas feitas por ela a uma recente piada {{machista}} sobre o mamaço, evento de solidariedade a uma mãe que foi convidada a se retirar do Itaú Cultural por dar de mamar a seu filho, em público.

Política, em seu sentido pleno, envolve muito mais do que partidos. Envolve cidadania, envolve direito a críticas e envolve auto-crítica. Como se vê o CQC é um programa de humor, apolítico e voltado apenas para seu próprio umbigo. Mas, afinal, hoje em dia, quem se pode culpar por isso?


Você acordou, ligou a televisão e... Osama Bin Laden foi morto. A notícia de que Obama e os EUA teriam matado o terrorista de 11 de setembro invadiu todos os meios de comunicação. Todos? Bem, quase todos...

A notícia de que Osama foi assassinado e o pronunciamento completo de Obama você encontra aqui {{Osama Bin Laden está morto. Ou já estava?}}, as provas disso, bem, o Obama falou...

Eu, particularmente, acredito que o governo americano apresentará alguma prova concreta da morte do líder da Al Qaeda {{não dá para acreditar na tal foto apresentada, é montagem tão ruim que a olho nu você percebe...}}


É preciso dizer que não sou daqueles que confiam cegamente nos EUA a ponto de um pronunciamento ser suficiente para me fazer acreditar que o tiozinho {{agora que já morreu pode chamar até de palmeirense que ele não faz nada...}} acima está morto.

Contudo, não sou daqueles que acham que o fato é mentira e qualquer prova apresentada pelos EUA serão {{sim, no futuro, como andaram me falando no twitter}} falsas. Eu prefiro esperar.

É fato que até agora só um pronunciamento e uma foto tosca foram apresentados como prova. Mas também é fato que o Obama sabe que um certo pato Donald {{Trump}} vai encher os pacová  dele até que se apresente alguma prova concreta.

Morto ou não, o último ato de terrorismo {{do bem?}} de Osama foi... matar os jornais impressos pelo mundo. Ainda que alguns jornais tenham atrasado a distribuição em favor de uma capa mais atual {{a folha foi um deles}} isso não muda o fato de que ninguém ou quase ninguém ficou sabendo da morte do terrorista pelos jornais.

Ou você viu o pronunciamento na televisão / internet. Ou leu no Twitter, ou ouviu no rádio ou viu hoje pela manhã na televisão ou rádio. O jornal de papel ficou para trás. É claro que isso não quer dizer que as pessoas vão cancelar as assinaturas por conta deste fato, somente. Mas também é fato que os jornais estão sendo cada dia menos impressos {{com trocadilho}}. 

Os jornais deveriam aprender, em minha nem tão humilde opinião, que não é hora de atrasar a capa para dar uma notícia velha. Até porque fica claro para qualquer leitor menos abestado que o jornal não se preparou para esta notícia. Basta ver quais são os editoriais do dia de hoje. 

Bastaria que amanhã, terça-feira, existisse de verdade análises sérias e frias sobre o assunto, como implicações sobre as eleições, provas {{ou ausência delas}} e significado dessa morte para Guantánamo {{não foi isso que deu o Oscar Nobel para o presidente americano?!}} e a influência disso nas tropas americanas em solo petrolífero {{geral assim mesmo}}.

Você, provavelmente, lerá muita comemoração e pouca sobriedade. Foi o fim de Osama, e o início do fim dos jornais {{ao menos como eles estão hoje}}.



Quem acompanha o blog sabe que o caipira safado que o escreve participou do 1º Encontro de Blogueiros Progressistas de São Paulo, um encontro com blogueiros da esquerda {{sim, amplo assim}}que pretendia discutir, entre outras coisas os rumos e leis da internet no Brasil.


Algumas pessoas vieram me confrontar {{confronto de ideias, discussão, etc.}} sobre ser o encontro uma grande panelinha de blogueiros amiguinhos e etc.

Acho perfeitamente normal e justo que se pense assim, quando você não foi ao encontro ou não acompanhou; mas acompanhando o evento você veria que a tal panelinha é feita de pessoas que não concordam com tudo, em absoluto. Ao contrário. 

Mas existem pontos que todo blogueiro deveria se atentar, seja ele um blogueiro de humor ou de política. Por exemplo a lei Azeredo {{apelidada carinhosamente de AI5- digital}}, ou a "lei dos 3 strikes" na França.

Não tem a mais vaga ideia do que significa? O Caipira resume, para você ver que se trata de assunto amplo e  e extremamente necessário a qualquer internauta, mesmo os que não gostam de política ou não são de esquerda{{WTF isso quer dizer?!}}.

Resumão da lei dos 3 Strikes {{não, meu filho, não é boliche}}

1. Você é avisado sobre ação ilegal {{baixar um CD ou vídeo ou livro que não se venda mais, porque não é rentável e que você só encontra na internet, por exemplo}} em seu e-mail pessoal
2.Você leva o segundo e o terceiro avisos pela prática.
3. Você é banido da internet pelo provedor de serviços, por 1 ano. MAS É OBRIGADO A CONTINUAR PAGANDO O PROVEDOR.

Veja bem, não estou levando em conta que o governo por lá tem acesso a seu e-mail pessoal e dados de tráfego cibernético, sem precisar pedir a sua autorização ou mandaDo na justiça.

E isso é, mais ou menos, o que a Lei Azeredo quer por aqui. E o que a Inglaterra está querendo aprovar por lá. Sacou?!

Isso tudo para explicar que o encontro não é algo de panelinha, mas algo para discutir estas questões, como foi feito, inclusive com a participação de parlamentares de diversos partidos comprometendo-se a criar um marco legal para conter as investidas de leis como estas que mostrei.

Blogueiro pensa? Pensa e pensa direitinho. E um dos resultados do encontro foi uma carta com reivindicações {{não acredite em mim}} e uma carta com propostas, das quais destaco as que eu mesmo fiz {{modesto eu, diz aí?!}}:

  • Que os blogueiros progressistas não copiem o conteúdo total de outros blogs. Copiem apenas parte do texto, dando crédito e link e então façam seus comentários nos blogs deles;
  •  Programa de afiliados do Governo Federal, nos moldes ao que existe como UOL afiliados, Google Adsense. Um do governo para que blogueiros em geral tenham acesso e essa verba seja distribuída de acordo com o número de visitas, como já é feito;

{{não acredite em mim}} 

E aí, ainda acha que é coisa de panelinha ou será que as propostas te beneficiariam?!
A Assembleia Legislativa de São Paulo foi palco de atos, no mínimo, pouco civilizados. Alguns poucos blogueiros {{quem lá esteve diz ter visto 10 ou 12, no máximo}} se reuniram em local sagrado à democracia para justamente ataca-la.

Crédito da foto: Hélio Paz {{não acredite em mim}}

A foto acima representa bem o que foi o encontro. A senhora de grande oratória e excelente discurso fez apenas algumas críticas pontuais {{todas bem fundamentadas, é bom que se diga}}, como o fato dos participantes estarem ali representando alguns setores da sociedade, setores que pagaram a eles para que ali estivessem.

O evento, supostamente democrático, deixou apenas 10 minutos de fala à crítica enquanto continuadamente a defensora da boa sociedade era cortada. Um absurdo que só mesmo um bando de comunistas poderia exercer.

O evento, pago e financiado por partidos e sindicatos que defendem o imoral e apenas o anti-ético, teve como temas {{imaginem os senhores}} Conselho Estadual de Comunicação, AI-5{{sim, havia uma mesa com este título, saudades da gloriosa ditadura, com toda certeza}}, Educação na Blogosfera e o mais sarcástico Sustentação da Blogosfera - como se não soubéssemos bem quem é que financia essa palhaçada toda {{para quem ainda tem dúvidas, a cocaína boliviana e as FARC colombiana}}.

Muito me assusta que ainda hoje permita-se num ambiente dito democrático a discussão aberta de um MODELO DE CENSURA. Ainda mais preocupante é ver que o evento teve autorização num ambiente onde se fazem as leis, ou ainda que parlamentares participaram deste tipo de discussão, uma lástima, realmente.

Para quem tiver estômago, os vídeos podem ser encontrados em dois sítios na internet {{até que a Polícia Federal tome vergonha na cara e de lá os retire}}:

  • {{não acredite em mim}}
  • {{não acredite em mim}}

O evento era tão chapa branca que nenhuma crítica ao governo foi feita. NENHUMA. Como se vivêssemos em um país de maravilhas, tudo o que se viu e ouviu foram elogios e sugestões, bem como gritos que vociferavam contra o pouco de democracia que ainda resta por cá: a editora Abril, o grupo folha e a agência Estado.

Como se fosse gozação ainda enviaram um diploma em meu nome que estou arrolando como provas no processo que estou movendo contra os 'blogueiros progressistas', imaginem, regular a mídia agora é sinônimo de progresso... 

É claro que eu não assinei...












Para o 0,001% dos leitores que não entenderam, este post é uma ironia, aos outros o perdão pela explanação
Quando você era pequeno, estudava {{faz uma força aí, meu filho, nem faz 100 anos ainda...}}, frequentava a escola, você já via aquelas cenas tão comuns: Um menino quieto tendo de ouvir os outros o xingando por... tanto faz, nunca havia motivos para isso.

{{Crédito da imagem - não acredite em mim}}


Pessoas como o garoto da foto, em nossa época, eram chamadas apenas de {{tirem as crianças da sala}} Grandíssimo Filho da Puta. Pois é, hoje não. Hoje o ato antes conhecido apenas por 'filhadaputagem' passou a ter um nome bonitinho, uma atenção super especial do pessoal do "Vamos salvar o mundo das cáries!" {{pode clicar, é um post explicando a expressão...}}.

Acontece que o problema sempre existiu. A questão fica realmente grave quando o agressor é o professor e, sim, isso ocorre muitas vezes. Basta lembrar um certo vídeo de uma certa música de uma certa banda...




Acontece que depois do tal ataque de um "Inominável Wellington" os nobres veículos de mídia, inspirados talvez por um surto pedagógico inédito em toda a história de suas empresas ou, quem sabe, inspirados por certa indústria armamentista que não quer o foco nas armas, mas em qualquer outro assunto... 

Não estou afirmando, apenas pensando no assunto...

Fato é que as armas não trazem paz, e o Bullying é apenas um nome bonito para algo que sempre ocorreu. E é fato que este nome bonito vem sendo discutido pela mídia, o que ocasionou uma proposta de lei por alguns promotores {{todos, com toda certeza, muito bem informados sobre pedagogia}}:

{{não acredite em mim}}

Deixa eu dizer uma coisinha que os senhores já sabem, mas não custa lembrar:

Bullying é uma questão de educação

Mandar um sujeito para a FEBEM porque fez uma destas babaquices em sala de aula {{o professor merece cadeia, falo dos 'colegas' de sala}} é assumir a inutilidade do professor, do pedagogo(a) E dos pais.

Pior que isso, é desistir de um ser humano. Simplesmente não faz sentido.

Eu fui vítima deste tipo de ações em salas de aula. Professores omissos, coordenadores ignoravam o problema. A situação só ocorre quando há omissão por parte de um dos fatores:



  • Professor
  • Coordenadora
  • Pais

Quando falo 'pais' você pode substituir por aqueles seres que criam os alunos. E a omissão é das duas partes: pais do agressor e pais do agredido. Com uma vantagem para os pais do agredido: nem sempre a vítima expõe claramente que foi vítima.

Me parece muito óbvio que hoje em dia os pais estão cada vez menos assumindo a educação das crianças e passando para as instituições de ensino. Basta observar o horário de almoço de qualquer escola para ver que os pais abrem mão até de ensinar os filhos a comer, exigindo isso da escola...

É o outro lado... Se passamos cada dia mais responsabilidade para as escolas, é justo que o Estado crie uma lei. 

Mas não deve, não pode e {{espero}}não será nunca a solução do problema tirar o direito de ir e vir de uma criança por conta deste tipo de ações...  A questão se resolve com educação. E educação não se resume a punição, ainda bem.

Wellington não foi resultado da falta de punição, mas da óbvia falta de atenção especializada, e da educação. O Bullying sempre ocorreu e vai sempre ocorrer. A solução, no entanto, não é criar leis, mas educar.

E a educação não é um problema das escolas públicas, mas das 'faculdades particulares' incapazes de formar um bom pedagogo, apto a enfrentar o problema de maneira decente. Revogam-se as disposições em contrário.
Já passamos pelo susto e pelo choque da tragédia de Realengo. Já vimos e revimos as imagens, já choramos e lamentamos as mortes, já discutimos os problemas. Como disse no artigo "O inominável Wellington", passado o trauma, é hora de rever os erros, e não foram poucos.

Crédito da foto {{não acredite em mim}}

Quem esteve no Twitter durante os momentos iniciais da tragédia pôde acompanhar as impressões do blog a respeito do modo como a cobertura 'jornalística' foi feita. Eram inúmeros erros e leviandades, trazidos à tona, talvez, por um preconceito escondido no fundo de cada repórter. 

Preconceito que levou a coisas como:

Boechat da BandNews mostrando todo o seu conhecimento sobre o Islã
{{não acredite em mim}}

Psiquiatra forense, mostrando toda sua capacidade de interpretação dos fatos...
{{não acredite em mim}}

Há quem diga que as insinuações sobre a religiosidade {{fundamentalista islâmico, chegaram a anunciar logo no início da tragédia}} teria início em um documento recém divulgado pela Wikileaks:

{{não acredite em mim}}

Particularmente eu não acredito que seja isso, embora não tenha dúvidas de que não haveria problemas para a imprenÇa em cumprir o pedido à risca, caso o pedido envolvesse a compra de alguns exemplares dos jornais em questão...

Fato é que por mais que fossem heróis {{alguém sem preparo entrar numa escola para parar, em tese, dois terroristas, é um herói sim}}os policiais jamais poderiam ter dado as entrevistas naquele momento. Não se sabia ainda o que é que estava acontecendo, não se sabia se era um evento único, se era um ataque terrorista, de fato, sequer sabia-se a quantidade de crianças mortas.

E foi o próprio PM quem, segundo as minhas impressões, deu o tom das acusações a Wellington naquele momento. Disse ele:

{{não acredite em mim}}

Como é do feitio da imprenÇa, o sensacionalismo foi além. Foi até a família do atirador. Para perguntar coisas fundamentais como a infância de Wellington? Não, para falar de algo muito mais importante...

Boechat: Ele deu algum indício de que estava maluco? Falou de religião, muçulmano? Irmã de Wellington: Minha mãe era testemunha de Jeová, ele não quis seguir, estava meio estranho mesmo... a última vez que o vi estava com uma barba muito grande...
{{não acredite em mim}}


Depois a carta foi divulgada{{não acredite em mim}}, só se falava em Jesus, nem uma menção a Alá, Meca ou qualquer tipo de fundamentalismo islâmico. Foi quando cessaram as acusações aos muçulmanos...

{{não acredite em mim}}

Natalie tocou no ponto exato. Uma vez cristão, o assassino frio e calculista deixa de ser religioso fanático e passa a figurar como maluco. Não, nenhuma menção a alguma doença específica, ele passa a ser maluco mesmo. 


Não é preciso comentar a falta de tato de se entrevistar a irmã de alguém que comete um crime destes, e dizer todo o nome dos pais, já mortos, e da irmã em rede nacional. Nós vivemos em um país onde os atores são agredidos na rua porque fazem papel de vilão nas novelas. Imaginem os senhores a reação da população com a irmã de Wellington. Ou melhor, não imagine, eu mostro:

{{não acredite em mim}}

A culpa das pichações, se alguém ainda tem dúvidas, é da imprenÇa que divulgou de forma irresponsável o nome do atirador e o nome de sua família.

O criminoso, o assassino de todas aquelas crianças, estava obviamente fora da realidade. Eu não sou psicólogo nem psiquiatra, portanto não serei ingênuo de associar o atirador a alguma doença mental. Mas está mais do que claro que ele não estava vendo o mundo da maneira como deveria ver.

Agora uma pergunta:

Algum repórter estava fora da realidade ou tem alguma desculpa para a divulgação irresponsável do nome dos familiares de Wellington?

Não, não estavam. Era apenas um dia comum, numa rotina comum, até que um fato incomum ocorreu. Jornalistas, em tese, estão para noticiar fatos incomuns. 

Considero gravíssimo o que ocorreu em realengo. Mas é ainda mais grave que os jornalistas se preocupem mais com a audiência do que com uma possível retaliação, injusta , à família do assassino.

Segundo Rodrigo Pimentel a chacina não poderia ter sido evitada. É uma infeliz ação de uma mente fora do lugar, 'surtada' {{na opinião nada capaz do leigo que agora escreve}}. As pichações na casa da irmã de Wellington, as possíveis agressões que sofreriam todos os familiares caso fossem buscar o corpo do menino-perdido {{que me desculpe o Peter Pan}} estas poderiam ser evitadas com atos bastante simples.

Bastaria que os jornalistas tivessem um pouco de decência e um mínimo de preparo ao tratar de assuntos tão melindrosos, afinal, o diploma serve para quê mesmo?!


Atualização


A sempre atenta @DeniseSQ informou via twitter o discurso de Protógenes na Câmara:

Culpado? Sim, mas só ele?!

   Pois eis que aquele programa pseudo-sério, pseudo-humorístico, comandado pelo ex-professor Tibúrcio, resolveu que iria escandalizar, criar polêmica. E resolveram colocar o senhor da foto acima para, digamos, responder perguntas de telespectadores. Veja você mesmo...


   Primeiro coisa que passa na mente de um ser humano {{daqueles que nasceram com cérebro}} depois de assistir uma desgraça dessas é: "Que diabos esse cara está falando?!"

   Depois, naturalmente, como é do feitio tupiniquim começa o 'auê'. É correr e 'xingar muito no twitter'. Fosse alguns anos atrás {{nem tantos assim}} e seria correr para criar uma comunidade de repulsa no Orkut. Sim, ações extremamente úteis, de fato. Tão útil quanto a hora do planeta.

   Depois disso o polvinho começa a reclamar e exigir que o tal deputado estadual {{do RJ}} seja cassado, porque, afinal, é muito preconceito até para quem é preconceituoso e não admite {{estou falando com você}}.

   E ninguém lembra que foi o mesmo bolsonaro {{alguém vai cobrar letra maiúscula de um ser humano letra minúscula?!}} que reclamou do projeto que pretende combater a homofobia nas escolas, eu mesmo já  escrevi sobre isso aqui {{procure por kit gay ou clica aí}}.

   E não que eu me sinta muito acima dos que xingam muito no twitter, mas eu resolvi parar para pensar no tal programa do tal careca que deu voz ao nobre deputado. Um leitor sagaz dirá: 'é bom dar voz, para que haja discussão, polêmica, traga o assunto à tona'. E eu direi que isso só seria aceitável se houvesse a mesma exposição no programa para uma voz de alguém que raciocine, que dê o ponto de vista de seres com cérebro às declarações do tal bolsonaro...


   Eu também já falei da minha opinião sobre o que foi intitulado como "jornalismo justiceiro", no Editorial: O revolucionário, o atrasado e o humorismo jornalístico. Já falei que sou a favor do boato que dizem ser a censura petista, para que se evite que só o homofóbico fale no programa.

   Mas eu não concebo que o CQC não seja responsabilizado pelas declarações dadas pelo quase ser humano em questão. Como disse o Maurício Stycer:

Antes de exibir a entrevista, Marcelo Tas apresentou Bolsonaro como “o deputado mais polêmico do Brasil”. Ao final, disse: “Eu prefiro acreditar que o Bolsonaro não entendeu a pergunta da nossa querida Preta Gil”.
O “CQC” tem o direito de entrevistar quem quiser e o deputado pode falar o que bem entender. A Justiça está aí para avaliar se ele cometeu algum crime, ou não. O que me espanta é o programa ter levado ao ar uma resposta tão grosseira havendo dúvidas, como manifestou Tas, que Bolsonaro pode ter entendido errado a pergunta.
{{não acredite em mim}} 

   Marcelo Tas, em entrevista ao Terra Magazine disse:

A propósito do CQC, o que me espanta é a reação de pessoas, inclusive de movimentos de defesa de direitos dos gays, que acham que nós não podemos tocar em assuntos como esse. É o mesmo preconceito do outro lado. Eles não entendem que o humor, às vezes, joga luz sobre alguns assuntos, como esses que foram tratados ontem, e eles ganham uma dimensão que de outra forma não teriam.
{{não acredite em mim}} 

   O que Marcelo Tas finge não saber {{porque burro ele não é}} é que ele pode tocar em qualquer assunto, desde que o faça com o mínimo de bom senso. O bom senso nesta situação não seria não dar voz ao bolsonaro {{neste ponto comungo com os que acham que é bom revelar o preconceito de parte da sociedade, 120 mil cariocas, ao menos}} mas dar voz a algum ativista que pudesse rebater os argumentos ridículos do deputado preconceituoso.

   E não adianta dizer que é um programa de humor, porque o vídeo do início do post mostra que não há graça nenhuma no que foi dito. E não é uma piada que não deu certo. Simplesmente não é piada.
O rosto da sabedoria


   A besta O comentarista político da CBN resolveu abrir a boca para falar da decisão do Ficha Limpa. Até aí, pensei eu, não faz mais que a obrigação. Mas pensei errado. Faz mais do que a obrigação sim. A obrigação era ficar calado, porque argumentar da maneira que argumentou...

   Não é surpresa para ninguém que a lei do Ficha Limpa para as eleições de 2010 seja um assunto polêmico. Não é por menos que o STF fez um julgamento que acabou empatado e outro que terminou com a decisão de que a lei só vale para o ano de 2012. 

   Sim, há argumentos jurídicos para se apoiar uma ou outra decisão. Pois bem, eis que o 'grande' comentarista, num ato de extrema felicidade de argumentação solta um belo tiro contra a capacidade de raciocínio dos ouvintes da CBN:

"É claro que é respeitável, o argumento do Luis Fux de que...é...ele respeitou o princípio da anualidade (...)agora, parece que os outros 5 ministros que votaram para a lei valer não entendem nada de direito"

   Sim, sua BESTA QUADRADA, então TODO RECURSO que não é julgado de forma unânime é, em realidade, uma agressão aos magistrados 'perdedores'. Muito espertalhão mesmo. É simplesmente ignorar o motivo pelo qual existe o STF. Quando uma lei chega para ser julgada pelo Supremo está mais do que óbvio de que há argumentação jurídica tanto para um sim quanto para um não, seja lá que lei for.

   Ele foi além, sugeriu que Gilmar Mendes estava ligado à Dilma, desmemoriado que estava, esqueceu de uma manchete nem tão atrasada assim:

{{não acredite em mim}}

   Mas a besta continua, inspirado que estava, resolveu palpitar também sobre o mensalão:

(...)isso começou a preocupar o governo porque há algumas votações em que o governo quer que haja um julgamento mais técnico e menos político (...) no processo do mensalão se prevalecer uma avaliação mais política, que atenda aos interesses da sociedade a tendência é haver uma condenação. No entanto, se você tiver uma maioria mais técnica no STF isso aumenta a chance de que muitos réus do mensalão sejam absolvidos porque há uma discussão, Milton, sobre a consistência técnica de algumas provas(...)

   Ou seja, o energúmeno mentecapto  considera que o STF {{maior instância JURÍDICA}} faça um julgamento baseado em fatos políticos e não em fatos jurídicos. Realmente é um esplendor de inteligência, um raio de sol em Londres, um bastião da boa vontade esse Kennedy Alencar... 

   Se quiser ouvir os sacrilégios,  clique aí embaixo e seja infeliz...

Cuidado, seu Frias, é uma armadilha

   Quando Dilma foi à festa dos 90 anos da folha de São Paulo, um alvoroço instaurou-se na blogosfera auto-proclamada progressista {{não, não me excluo dela}}. Alguns companheiros acharam que era um absurdo a ida da presidentA ao órgão que a caluniou de forma mais vil {{embora não seja nem de perto o veículo que mais a caluniou}}, já que comparou uma torturada pelo golpe militar com Osama Bin Laden {{terrorista, uai}}.

   Não demorou, no entanto, para que Dilma saísse da toca e desse entrevista em alguns veículos de comunicação. Lá foi Dilma à Ana Maria Braga, à Hebe. Dilma, que até pouco tempo atrás não conseguia abrir a boca sem que o Lula lhe dissesse aquilo que deveria ser dito, hoje é sinônimo de oposição a Lula.

   O óbvio está posto. O que, de fato, me causou certa estranheza eram as poucas entrevistas dadas pela presidentA no início do mandato. Como vimos, isso acabou. E se Lula aproveitou para disparar o dinheiro publicitário em direção à pluralização dos meios de comunicação, Dilma faz isso de modo explícito ao vivo.

   E o que diz a folha?

Dilma para todos 

Presidente deveria adotar a prática usual em democracias de dar entrevistas coletivas regulares para conferir mais transparência a seu governo {{não acredite em mim - só para assinantes}}

   A relação de forças é bastante clara. E para os companheiros que discordam deste pobre Caipira eu dou logo a letra: Dilma fez um discurso sem sal, sem sabor e sem conteúdo para a folha de São Paulo. Disse o que precisava dizer para não ser acusada de promover picuinha.

   E quem é que pode acusar Dilma de não dar entrevistas? A folha, claro, queria mais. Queria, talvez, uma exclusiva. E como não se pode dizer isso claramente, porque pode-se ser acusado de fazer picuinha, a folha, corajosa como sempre e óbvia como nunca, faz um editorial criticando:

Uma forma de incrementar essa interação é o estabelecimento de entrevistas coletivas. Num encontro digno do nome, o acesso é franqueado à mais ampla gama de veículos, o governante escolhe quem lhe fará perguntas que ele não conhece de antemão e a praxe concede muitas vezes ao jornalista o direito de reperguntar.

   A folha cita os EUA mas sabe bem que por lá os jornalistas não tem a chance de 'reperguntar' {{de onde veio essa palavra?}}. Aliás é até simples entender o porque da praxe ser uma pergunta por jornalista. Quanto mais 'ampla gama de veículos' mais perguntas existirão e, portanto, menos tempo haverá para cada resposta. Ou seja, nem mesmo na reivindicação a folha consegue manter um argumento que faça sentido.

   Quando foi à folha Dilma deu sinais de que não queria brigas e fim. A folha entendeu como um sinal de disposição e boa vontade à sua empresa. Agora resta ao jornal da censura ouvir um sonoro:

   As vozes dissonantes que me perdoem {{ou me chamem de ingênuo ou dêem patadas ou se calem, tanto faz}}, mas um valor maior se alevanta.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As obras grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o imenso feito saramaguiano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

   Temos uma mulher presidentA.. Temos uma mulher presidentA capaz de entender aquilo que, com respeito às vozes dissonantes que merecem respeito, muita gente de esquerda não foi capaz de entender.

   Uma lição que as mulheres sabem perfeitamente, como os negros, aquela esperteza que só tem quem está cansado de apanhar. E eles apanharam, negros e mulheres. E foram torturados, Dilma entre eles.

   E se causa estranheza a argumentação eu já sou logo claro: Dilma fez bem de ir à folha. E fez melhor ainda em ir à Ana Maria Braga, como, imagino eu, tenha sido ótima a ida até a Hebe.

   Em primeiro lugar porque é preciso saber a importância de cada coisa, cada empresa, cada fato. Em segundo lugar é preciso saber a própria importância. E é preciso juntar os fatos.  Dilma sabe da importância da folha, como sabemos todos, mesmo os que discordam de sua ida.

   Sabemos, por mais que desejemos negar, que a folha ainda permanecerá ativa por muitos anos {{ainda assim, não custa rezar}} e com influência altiva por outros tantos. A folha, e disso a Dilma sabe muito bem, não pode ser ignorada {{da mesma forma que qualquer grande aglomerado também não pode, o governo é sim capitalista, sou conformado}}.

Mas aí pode?!

   O pessoal que discorda da ida até a folha, há de concordar que não ir até lá não seria ignorar a folha, mas comprar uma briga. Desnecessária, em minha humilde opinião, politicamente pouco esperta e, principalmente, a própria briga seria dar à folha uma importância que ela não tem. Como vimos, ela perdeu a eleição.

   Não entendo, no entanto, é a mudança de postura para o programa global. A Globo não é tão golpista quanto a folha?! Ambos os veículos apoiaram e foram apoiados pela ditadura {{deixo o trocadilho por conta deles}}.

   Feito este pequeno destaque é de bom tom observar a reação nada suave da folha à ida de Dilma para o programa matinal e, depois, aproveitar para rever alguns pontos...

{{não acredite em mim - folha para assinantes}}

   Se não ficou claro, eu desenho:


   Notaram o rancor? Reparou no ciúmes?! Pois sim. Lembrar da importância que tem cada coisa. Saber pontuar as coisas e, principalmente, não cobrar brigas desnecessárias.

   A folha não tem o argumento de que a Dilma não aceita críticas, está fazendo picuinha. O único argumento que sobra é a da entrevista puxa-saco. Mas , hey, é a Ana Maria Braga, o que vocês esperavam?! {{não leitor, agora estou falando com a folha mesmo...}}

    Dilma sabe quem assiste ao programa da Ana Maria Braga. Não são os empresários que assistem ao Bom Dia Brasil. E não deu audiência ao Jornal Nacional, embora tenha dado à Globo. Sim, porque a Globo tem sua importância, seu papel social {{favor, antes de xingar, verificar o significado da expressão 'papel social'}}.

   Ao contrário do que faz parecer a matéria o rascunho de matéria da folha, a entrevista ressaltou pontos importantíssimos e para o público alvo correto. Uma mulher disse a outras mulheres aquilo que os americanos já haviam dito, algum tempo atrás.

Yes, we can!

   Direto, cara a cara, a mulher mostrou a todo o público que pode cozinhar, falar de maquiagem e cuidar da economia. E devolver o bambolê rosa. E tudo isso sem sair do salto, ou sair, ou fazer como bem acha que deve.

   E não há juiz que negue esse direito. A entrevista explicou, por exemplo, a nova lei do salário mínimo. A entrevista contou a história da presidentA e ressaltou o porque da preferência por presidentA.

   A lição que fica para este pobre blogueiro caipira e machista é aprender a dar a cada coisa a importância que ela tem. Nem mais nem menos. E acho que isso é muito.


   Estava evitando falar desse assunto, digamos, tão pragmático. Mas não dá para evitar, quando um assunto cai nas graças do polvo, só nos resta comentar {{para quem comentou o BBB nem é preciso assim tanto esforço}}.


   É claro que não carece de lembranças as tantas difamações do jornal contra a própria Dilma. Não sendo pouco o fato de ter ajudado a ditadura {{não acredite em mim}} ainda resolveu dizer que a ditadura, na verdade, foi uma "Ditabranda":

{{não acredite em mim}}

   Em realidade é até justificável que, uma vez percebido o erro de ajudar a ditadura, você chame de Ditabranda, como quem tenta pagar da memória, do legado, as mazelas causadas por um erro crasso como este. É bem verdade que assumir os erros não é o caso da grande ImprenÇa, motivo pelo qual seguem as reiteradas amenizações à ditadura.

   Também é verdade que o jornal publicou fatos para lá de excusos e discutíveis, tais como:

{{não acredite em mim}}

   Como simplesmente apoiar a ditadura é pouco, a folha fez questão de censurar um outro blog {{CENSURA EU, FOLHA!!}} que fazia críticas. O motivo alegado é meramente artimanha jurídica {{uso indevido da marca}}. 

    Apesar de tudo isso, Dilma foi à festa dos 90 anos do jornal. 

    E, ao contrário de meus colegas Maria Frô e Eduardo Guimarães, eu compreendo. Considero extremamente discutível e questionável o pragmatismo político, mas entendo, compreendo e até acho que é uma boa tática. Sim, boa tática.

   Afinal a política nada mais é do que uma guerra {{ideológica}}, uma disputa de forças onde um grupo ameaça com algo e outro com outro algo {{que português, bunitu!}}. A verdade é que, esperamos todos que votamos nela, ela tentará {{e, possivelmente, aprovará, embora com restrições}} aprovar um marco regulatório de imprenÇa. Regras para a condução ética do jornalismo.

   Não, queridão, não é censura. Leia aqui.
   E que melhor argumento contra a frase mais dita pela imprenÇa atual {{regular = censurar}} do que um monte de fotos mostrando a própria presidenta na festa do jornal?! A verdade, pessoas, é que a política é um mundo onde não há espaço para limpinhos. É verdade também que não é preciso ser corrupto para isso. Mas o pragmatismo, as alianças e negociações estarão sempre presentes. 

   Oposição ou situação, seja o lado qual for, você vai precisar negociar com alguém com quem já disputou. Vai ter de estender a mão para seres que outrora você chamou {{ainda que tenha razão}} de injustos, sem honra ou seja como for que você chame o PMDB {{ato falho, desculpe}}.

   Enfim, dá nojo, dá asco, mas é preciso ter o PMDB como aliado no Legislativo, como é preciso ceder às grandes corporações e jornalecos como folha. Faz parte do jogo. Que é sujo por natureza. 



E mesmo quem não tem

Coragem pra suportar

Tem que arranjar também
Coragem pra suportar

Ou então
Vai embora
Vai pra longe
E deixa tudo
Tudo que é nada
Nada pra viver
Nada pra dar
Coragem pra suportar
{{não acredite em mim - Gilberto Gil - ouça a música aqui}} 
   Pois é, polvilhos, o Mun Há dos novos tempos resolveu que não vai largar o osso. Fez um discurso que nada diz... ou diz?!

   Em realidade o discurso de Mubarak diz bastante e é muito interessante a análise bem feita, coisa que, claro, você não vai ler na folha... Pois eis que resolvi, eu mesmo, fazer uma análise.


   Interessante notar, em todo o discurso {{cuja íntegra você lê em português e com exclusividade aqui}} o tom paternalista das falas. Além é claro, da separação feita entre homens e mulheres, que, no Egito, denota um certo machismo, ao contrário da separação que em geral é feita no ocidente, com o intuito contrário, o de destacar o papel feminino.

Povo e mulheres do Egito, eu me dirijo a vocês hoje. Eu me dirijo à juventude do egito na praça de Tahrir. E, todo Egito, eu me dirijo a vocês com um discurso vindo do meu coração. Um discurso de pai para filhos e filhas.
   O discurso tenta mostrar um ditador que já esperava pelos conflitos, também típico. Nenhuma ditadura que se preze assumirá publicamente uma derrota ou, ainda que assuma, vai dar a esta derrota ares de vitória. É o caso aqui.

   Ao se referir à juventude, Mubarak também dá um tom de que os protestos não são de todo o povo, mas de um setor, justamente o setor mais intempestivo, mais 'a flor da pele', como dizemos por aqui.

   Mubarak não é tolo. Ele sabe bem o momento pelo qual passa e sabe de sua rejeição. Talvez por isso ele tenha procurado uma proximidade com o que chamou de 'mártires'. Por isso se dirigiu aos familiares das vítimas. Este é um recurso retórico muito comum. Você procura, a partir de um grupo mais fragilizado, a empatia de todos os ouvintes.

   O problema é que, no caso dele, ninguém tem a menor dúvida de que é um recurso retórico e nada mais.


   Mubarak mostra que está atento aos discursos internacionais, aqueles que você cansa de ler na imprenÇa, de que uma instabilidade no Egito pode levar toda a região ao caos. Não vou nem discutir um discurso {{da imprenÇa}} que leva a população a acreditar que uma revolução leva, necessariamente, ao caos completo, porque creio que todos sabemos os motivos e razões da mídia.

   Mas o ditador egípcio {{sim, tomei partido, para mim é ditadura}} ouviu essa fala da comunidade internacional e, como era de se esperar, a utilizou para fortalecer o argumento de que não dá para ele sair, como exige o povo, agora. Que é preciso um processo lento {{a data que ele deu é setembro!}} para dar tranquilidade a seu povo.
Manifestei planos para sair desta crise e também para implementar as demandas da população com a legitimidade da constituição e de uma forma que traga estabilidade de nossa sociedade, a demanda de nossos filhos e, ao mesmo tempo, apresentar um acordo de transição pacífica de poder com um diálogo responsável entre todas as forças da sociedade e com todos - com maior grau de franqueza e transparência.
   Mubarak, que não é dos mais ingênuos, aproveitou para alfinetar os EUA, que sempre o apoiaram {{ou você tem uma palavra melhor para alguém que 'auxilia' o governo com 1,3 bilhão?!}} ao se referir às falas externas. Ele sabe que os EUA só apoiam a sua saída para não ficar mal com a comunidade internacional.

   Tentando se aproximar da população ele traz à tona sua biografia.Como quem justifica uma ditadura por méritos, por excelência e não pelo poder. A idéia é mostrar ao povo que ele é mais preparado para governar. E se você compara este discurso de herói de guerra com as constantes referências à juventude, que é por definição pouco experiente e impetuosa, saberá que o recado é forte, em voz suave.

Eu vivi dias de ocupação e de frustração e dia da Libertação.
Aqueles foram os melhores dias, o melhor dia da minha vida é quando eu levantei a bandeira do Egito sobre o Sinai.
E quando eu pilotei aviões.
Não houve dia em que fui afetado por pressões externas.
Eu respeito - eu professo paz e eu trabalhei para a Estabilidade do Egito e da paz e eu trabalhei para o progresso do Egito e do progresso do seu povo.
Meu objetivo nunca foi de procurar a força e tomar o poder.
Eu acredito que a maioria do povo egípcio sabe quem é Hosing Mubarak e me dói a maneira como disseram algumas pessoas de mim e do meu próprio país.
   Mais uma vez o tom paternalista está presente. O pai, preocupado com os filhos, mostra que, em realidade as punições e atitudes tomadas foram para o bem deste filho que não sabe ainda qual o caminho seguir.

   Mubarak cedeu. Podemos considerar que foi pouco, mas já mostra o poder da população. Ele revogou alguns artigos da constituição e passou poderes ao vice-presidente, embora não tenha saído. Um ditador não cederia assim seu posto, por pressões populares. Ou seria um presidente eleito.

   Enfim, é um discurso que diz pouco em termos de mudança, mas diz muito sobre como pensa Mubarak.


Leia também:
  • Mubarak caiu. Uma imagem e mais nada...
  • Discurso de Mubarak em português
   Depois de sair da presidência, tenta se manter distante, mas a imprenÇa insiste em colocá-lo em exposição; mesmo que para isso precise... elogiar Dilma.

   
    Primeiro, todos nos lembramos, a imprensa tentou nos empurrar a idéia de que Lula iria tentar um terceiro mandato. Idéia, aliás, que não caiu tão mal nos pensamentos da oposição que pensou assim em se eleger em outros cargos pelo Brasil...

Hipótese criada por quem ??
{{não acredite em mim}}

   Lula desmentia mas, claro, nessas horas o que ele fala é irrelevante. Quando fala que não quer o 3º mandato é porque está disfarçando e quando diz que poderia ter tido, se quisesse, aí ele está "lamentando" {{não acredite em mim}}.

   E fico aqui me perguntando, quem é que não larga quem... Sim, a dúvida da Veja, e da mídia em geral, era se ele iria conseguir largar a presidência:


   Como para estes seres o mundo real serve apenas para comprovar as teses malucas criadas por gente incapaz até mesmo de argumentar sob o viés da direita - e que quando o mundo real não comprova simplesmente o ignora - criou-se a tese de que Dilma era um poste.

  
Leia também:
  • O sonho de Paulo Bornhausen
  • Dilma: o poste que não é

   Pois aí foi-se a eleição, o mundo real, de novo, não soube corresponder a tese da grande imprensa {{que ainda hoje tenta provar que as mídias sociais não mudam sua vida...}} e Dilma foi eleita presidenta.

   Então simplesmente esqueceu-se a tese do poste, Dilma passou a ser, na verdade, oposição ao Lula. Sim, na cabeça destes aprendizes de qualquer coisa o mundo é completamente idiota e o poste, na verdade não passa de uma ferrenha opositora de Lula.

   Não são poucas as manchetes para comprovar o fato. Mas o que mais me espanta é a necessidade da imprenÇa de falar de Lula. O que se vê não é um ex-presidente doido para aparecer e palpitar como queria a capa da Veja ali de cima, mas exatamente o contrário.

   Só o Arnaldo Jabor comentou sobre Lula 1, 2 ... sei lá quantas vezes... No caderno 'poder' da folha você encontrará notícias de Lula nos dias 9, 8, 6 de fevereiro e por aí vamos...uma busca por "lula" no site do Estadão dá uma página inteira de notícias sobre o ex-presidente, todas do dia 9 de fevereiro...  uma pequena busca no google por notícias e "Lula" e você verá:

6990 resultados para o último mês.


   A idéia é bem simples, vamos batendo no Lula para ver se alguém nos dá audiência. Lula, que não é bobo, até aqui se mantém em silêncio. Quando responder, sabemos todos, mais uma tese será levantada: a do ditador frustrado que é o Lula, ainda que, com 87% de aprovação, nenhum ditador seria frustrado.

   Chega a ser engraçado ver a necessidade que a mídia tem em falar do ex-metalúrgico. Seja porque o PT vai pagar um salário de 13 mil a ele {{Reinaldo Azevedo ficou indignado}}, ou porque ele resolveu almoçar fora {{sim, a Globonews exibiu reportagem com o garçom 'preferido' de Luiz Inácio}}.

   Algumas pérolas são jogadas, como na transmissão de Corinthians e São Bernardo, pela CBN: "Lula quebra o protocolo ao chegar e..." Êpa! Qual é o protocolo para um ex-presidente em jogo de futebol?! Na TV PSDB, também conhecida como ex-Cultura, o 'sociólogo' Demétrio não se contém e solta um: "viu, Lula? Isso é democracia" e o assunto era... Egito.

    A questão na verdade não é se Lula consegue viver sem a presidência, mas se a imprenÇa consegue viver sem Lula.
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