Como iniciar um texto sobre algo que já é conhecido, já foi falado e analisado? Falar dos enormes erros, das tentativas de melodrama, das teorias da conspiração? Falar da vontade da imprenÇa de associar o fato a um preconceito importado?
Um belíssimo texto de um Jornalista {{destes que fazem valer o diploma}} intitulado "O Pai do Homem", deixa mais ou menos claro a vontade que temos sempre, de achar um culpado{{não acredite em mim}}. Para quê?
É preciso compaixão, compreensão. Não é preciso descrever, mas é preciso nominar o inominável: Wellington, ele tinha nome, afinal.
Um belíssimo texto de um Jornalista {{destes que fazem valer o diploma}} intitulado "O Pai do Homem", deixa mais ou menos claro a vontade que temos sempre, de achar um culpado{{não acredite em mim}}. Para quê?
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| Crédito da foto - {{não acredite em mim}} |
Não é possível culpar uma mãe, um pai. Não dá para culpar segurança ou exigir catracas, é simplesmente inevitável, inatingível, impossível se preparar para algo como o que houve. Reza quem é de reza, grita quem é do grito, pousam aqueles que são urubus. Tanto faz.
É preciso pontuar, sem dúvidas, a falta de responsabilidade de um veículo que usa a tristeza para vender lágrimas. É preciso pontuar as diferentes versões do herói, o suicídio-assassinato. A exposição de uma família que continua viva. A humilhação de um irmão que perdeu a cabeça, sabe-se lá porque.
É preciso ficar calado por um momento. É preciso relembrar, reavivar aquele resto do 'ficar impressionado' que ainda restava em nós.
É preciso ter pena, ter dó, de quem todos dizem que não merece ter dó. É preciso a compaixão de tentar compreender que não existe vilão. É preciso correr atrás dos erros também.
Mas amanhã.
Hoje é dia de calar. É dia de se abraçar. É dia de beijar. É dia de lembrar de quem já não lembramos, é dia de seres humanos.
Porque o dia de ontem foi repleto de lobos. O lobo da loucura, o lobo do tráfico de armas, o lobo da ganância, o lobo do lobo.
E amanhã, quando voltarmos às nossas vidas, à caça de culpados, quando arrumarmos alguém para punir o que já foi punido, será preciso lembrar que aquilo tinha nome. Aquilo era um filho, um irmão, um sobrinho. Aquilo, um dia, ia ter filho. Aquilo foi um desvio do caminho.
E ainda que não tenha sido tão sujo, quem de nós nunca desviou o caminho?!
Vestido com um terno branco, duas rosas no bolso do paletó e um chapéu sobre a cabeça o negro andava. Era uma ansiedade só. E falava e sapateava e gritava e dançava e até que cantava razoavelmente bem, mas não foi educado, o coitado.
Era assim que pensava aquele outro de terno moderno, olhar ereto, arrumado. Mas, afinal, onde é que estava?! Pensou bem e andou mais adiante, até que olhou ao chão e viu um mendigo um tanto estranho, sandália ao pé, andando e falando...
- Amigo, onde é que estou?!
- Você me considera seu amigo? - retrucou o mendigo
- Sim, digo, não, quero dizer é só um modo de falar...
- Então não sou, de fato, teu amigo?!
Ficou com raiva, com ódio, mas não soube responder... Até que se encheu e falou logo o que pensava...
- Olha aqui, colega, não sou teu amigo, só quero saber onde é que estou...
- Isso depende de você.
- Não entendi...
- Suponho que o senhor não seja lá muito educado...
- Você sabe com quem está falando?
- Não, e você? Poderia definir com precisão?
- Eu sou um deputado! E você?
- Tudo que sei é que nada sei...
E olhando assim até que o tal mendigo lembrava alguém conhecido, mas quem? Qual era o nome deste ser tão mal vestido, tão estranho e decidido?
- Eu sou Sócrates
Pronto, além de mendigo era maluco...
- Claro, e eu sou Platão...
A resposta foi ainda mais surpreendente...
- Com o perdão do trocadilho, você não é nem sombra do Platão... Platão está ali, travando uma disputa de ideias com Homero, e, sinto lhe informar, você está no inferno...
- No inferno?!
Sim, agora tudo ficara claro. Não era possível sobreviver a três tiros tomados. Mas porque estava ele ali, no inferno? Porque raios não havia de ir para o paraíso?
- Eu não POSSO estar no inferno, você deve estar enganado!
E lembrou-se que estava falando com alguém que nunca havia se enganado... E esbravejou e ficou vermelho e gritou tudo o que um dia já havia pensado...
- Inferno é coisa de veado!
Foi então que aconteceu, aquele negro de terno havia ouvido e estava mal encarado. Viu a dupla de rosas vindo em sua direção, aquele olhar bravo, deu um passo para trás e rezou, esquecendo que já estava no inferno...
- Tá com medo de mim, meu amor?!
- Eu n...não s..sou seu amor
- Mas bem que podia ser - e dizendo isso deu-lhe um abraço mais apertado
- Eu não g...gosto...de ve...veado!
O negro soltou e o empurrou com força, bravo que estava.
- Mas não foi isso que teu corpo me falou...
- Corpo não fala, seu negro assanhado.
- Mas o teu falou, ficou até arrepiado...
E começou a cantar um samba, emocionado. O tal deputado ouviu com presteza e atenção. Não se sabe se por medo ou se por gostar do que ouvia, mas sentou-se e começou a ouvir... Uma pequena multidão se amontoou, e alguns antigos companheiros do deputado também estavam ali, assistindo emocionados...
- Eu roubo mas não faço melhor que isso - disse um que estava ao lado...
Ao final da cantoria levantou-se e aplaudiu o tal negro safado. E sorrindo o negro foi ter ao seu lado. E o abraçou e apertou e olhou bem nos seus olhos. Sentiu sua espinha arrepiar, de medo, com certeza, concluiu o deputado.
- Percebe, como fala o corpo, seu tarado?!
- Eu nã..não... eu... eu...
E o negro levou o deputado ali para o lado. E passou a mão em seu peito estufado. E sorriu um sorriso branco e pegou a mão do deputado...
- Não...eu n..não...eu não...
- Vai me dizer que não quer, deputado?!
- N...não... é...é... que...
Foi então que Madame Satã percebeu a aflição do deputado...
- Tadinho - falou bem alto - morreu virgem, o deputado...
A multidão gargalhou, e o negro amou o deputado.
Hoje não o chamam mais de Bolsanaro... ganhou o nome de Diabo, companheiro sempre fiel de sua madame.
Vestido deste modo o menino só poderia pensar isso mesmo, concluiu o velho, como numa sentença. Ainda assim lhe parecia um exagero o horror do garoto. Eram os novos tempos, sentenciou novamente.
- Desculpa, eu não tenho dinheiro
O menino não devia ter mais de 10 anos. O velho enfrentara uma guerra, uma ditadura e nunca havia tido um momento sequer de horror como àquele. Sorriu. Tinha a impressão de que isto acalmaria o menino.
- O que...você quer ?
Um sorriso como aquele deveria trazer à cena ternura, sabedoria e uma doce melancolia. O sorriso rimava feito poesia.
Mas a face do menino não aplacou. Como se aquele sorriso para ele não significasse nada, senão um sorriso. E a última coisa que ele desejaria num momento como aquele era um sorriso. O menino não teve opção, estava ali porque a vida assim quis.
- Pelo amor de Deus, eu só quero ir embora.
O desespero era a única coisa que compartilhavam. O velho querendo ir pra usa casa, comer seu jantar, ver a televisão da vitrine e dormir. Ele não queria estar ali. O velho não teve opção, estava ali porque a vida assim quis.
A situação estava posta. Nada mais seria acrescido na cena. Um velho, um menino, um sorriso, desespero. A hora, é claro, não parava, embora devesse.
- Eu sei que você não tem dinheiro.
Os dois tinham família. Um tinha filha. O outro mãe. Os dois sabiam das coisas. Nenhum deles estudava ainda, embora já tivessem passado pela escola.Os dois mantinham em sí mesmos a calma, doçura e sabedoria necessárias à vida. Os dois a sabiam inútil.
Nada ocorrera realmente até ali. Nada ocorreria. Um parque, uma noite, um leve friozinho.
- Solta meu braço.
A fala não era exatamente uma ordem. Soava mais como súplica. Mas o braço não se livrava. Era incrível alguém naquela idade ter tanta força.
Lembrou-se do que carregava na parte de trás da cintura, só por segurança.
- Não vai fazer besteira.
Vestido deste modo o velho não poderia mesmo pensar em outra coisa, concluiu o menino como numa sentença. Ainda assim lhe parecia um exagero o horror do velho. Eram os novos tempos, sentenciou novamente.
E era, na verdade era o choque entre os tempos. Nenhum deles compreendia a lógica que ali vigorava.
- Você deve respeitar os mais velhos, sabe ?!
A frase parecia-lhe uma ordem, impiedosa e irônica. Se é que alguém ali respeitava qualquer ordem. Ao menos a ordem social estava respeitada. O conflito estava presente.
- Você deve educar os jovens.
As falas vieram uma atrás da outra. Saída de ambos. Ambas. Aquela coicidência surpreendeu aos dois. O braço teve sua prisão afrouxada. Mas era ainda prisão. Como a mão do outro que seguia lentamente em direção à arma.
- Então é assim.
- Assim é.
Aquele diálogo era fundamental. Breve como deveria ser. Esclarecedor como nenhum diálogo realmente é. Aquilo aplacou, ainda que brandamente a fúria deles.
A lágrima que ameaçara cair secou. Ao menos fisicamente. Sabia-se no entanto que a cena como um todo era um pranto, desolado e terrível.
Do diálogo nasceu o silêncio. A hipocrisia desagradava aos dois e palavras agora nada diriam.
O parque estava mesmo vazio. Somente marginais enfrentariam as cercas e grades e portões que o cercavam. Somente marginais. Pobres, ricos ou o que fossem. Marginais.
Um leve ruído poderia ser ouvido. Passarinhos, cachorrinhos, tatus-bola e outros bichos passavam fazendo ruído. Mas o ruído que seria ouvido era outro. A mão alcançara a arma.
- Você vai atirar ?
A resposta era óbvia. MAs a pergunta não queria respostas, queria incitar novas perguntas. Insultar. Um atrevimento insultar uma arma. Um atrevimento necessário à vida.
- Você vai morrer.
Todos iríamos, pensou ele. Todos iremos. Mas ele se sentia mesmo morto. Deselegante. Fora de moda.
Não dançava, não ria, não conversava. Televisão não tinha. Mas sempre quis aparecer na novela. Lindo. Mas ninguém naquela idade protagonizava uma novela das 21hs.
- Você também.
- Não agora.
Não. Agora ele ia renascer. Nunca tinha sentido a dor real. Aquela seria a sua primeira vez. Por isto lhe caiu uma lágrima, não por medo.
Mas as interpretações fazem mesmo milagres com nossa consciência.
- Medo ?
- Alegria.
- Me alegra te ver morrer.
- Me alegro com a dor.
Era este o ponto. Ninguém mais tinha sentimentos. Os dois percebiam isso. A percepção também era rara, sabiam os dois.
A arma foi apontada. Engatilhada. Lentamente o dedo forçou a alavanca. A bala saiu. O outro morreu.
Que outro ? Tanto faz. A bala é o que importa
- Desculpa, eu não tenho dinheiro
O menino não devia ter mais de 10 anos. O velho enfrentara uma guerra, uma ditadura e nunca havia tido um momento sequer de horror como àquele. Sorriu. Tinha a impressão de que isto acalmaria o menino.
- O que...você quer ?
Um sorriso como aquele deveria trazer à cena ternura, sabedoria e uma doce melancolia. O sorriso rimava feito poesia.
Mas a face do menino não aplacou. Como se aquele sorriso para ele não significasse nada, senão um sorriso. E a última coisa que ele desejaria num momento como aquele era um sorriso. O menino não teve opção, estava ali porque a vida assim quis.
- Pelo amor de Deus, eu só quero ir embora.
O desespero era a única coisa que compartilhavam. O velho querendo ir pra usa casa, comer seu jantar, ver a televisão da vitrine e dormir. Ele não queria estar ali. O velho não teve opção, estava ali porque a vida assim quis.
A situação estava posta. Nada mais seria acrescido na cena. Um velho, um menino, um sorriso, desespero. A hora, é claro, não parava, embora devesse.
- Eu sei que você não tem dinheiro.
Os dois tinham família. Um tinha filha. O outro mãe. Os dois sabiam das coisas. Nenhum deles estudava ainda, embora já tivessem passado pela escola.Os dois mantinham em sí mesmos a calma, doçura e sabedoria necessárias à vida. Os dois a sabiam inútil.
Nada ocorrera realmente até ali. Nada ocorreria. Um parque, uma noite, um leve friozinho.
- Solta meu braço.
A fala não era exatamente uma ordem. Soava mais como súplica. Mas o braço não se livrava. Era incrível alguém naquela idade ter tanta força.
Lembrou-se do que carregava na parte de trás da cintura, só por segurança.
- Não vai fazer besteira.
Vestido deste modo o velho não poderia mesmo pensar em outra coisa, concluiu o menino como numa sentença. Ainda assim lhe parecia um exagero o horror do velho. Eram os novos tempos, sentenciou novamente.
E era, na verdade era o choque entre os tempos. Nenhum deles compreendia a lógica que ali vigorava.
- Você deve respeitar os mais velhos, sabe ?!
A frase parecia-lhe uma ordem, impiedosa e irônica. Se é que alguém ali respeitava qualquer ordem. Ao menos a ordem social estava respeitada. O conflito estava presente.
- Você deve educar os jovens.
As falas vieram uma atrás da outra. Saída de ambos. Ambas. Aquela coicidência surpreendeu aos dois. O braço teve sua prisão afrouxada. Mas era ainda prisão. Como a mão do outro que seguia lentamente em direção à arma.
- Então é assim.
- Assim é.
Aquele diálogo era fundamental. Breve como deveria ser. Esclarecedor como nenhum diálogo realmente é. Aquilo aplacou, ainda que brandamente a fúria deles.
A lágrima que ameaçara cair secou. Ao menos fisicamente. Sabia-se no entanto que a cena como um todo era um pranto, desolado e terrível.
Do diálogo nasceu o silêncio. A hipocrisia desagradava aos dois e palavras agora nada diriam.
O parque estava mesmo vazio. Somente marginais enfrentariam as cercas e grades e portões que o cercavam. Somente marginais. Pobres, ricos ou o que fossem. Marginais.
Um leve ruído poderia ser ouvido. Passarinhos, cachorrinhos, tatus-bola e outros bichos passavam fazendo ruído. Mas o ruído que seria ouvido era outro. A mão alcançara a arma.
- Você vai atirar ?
A resposta era óbvia. MAs a pergunta não queria respostas, queria incitar novas perguntas. Insultar. Um atrevimento insultar uma arma. Um atrevimento necessário à vida.
- Você vai morrer.
Todos iríamos, pensou ele. Todos iremos. Mas ele se sentia mesmo morto. Deselegante. Fora de moda.
Não dançava, não ria, não conversava. Televisão não tinha. Mas sempre quis aparecer na novela. Lindo. Mas ninguém naquela idade protagonizava uma novela das 21hs.
- Você também.
- Não agora.
Não. Agora ele ia renascer. Nunca tinha sentido a dor real. Aquela seria a sua primeira vez. Por isto lhe caiu uma lágrima, não por medo.
Mas as interpretações fazem mesmo milagres com nossa consciência.
- Medo ?
- Alegria.
- Me alegra te ver morrer.
- Me alegro com a dor.
Era este o ponto. Ninguém mais tinha sentimentos. Os dois percebiam isso. A percepção também era rara, sabiam os dois.
A arma foi apontada. Engatilhada. Lentamente o dedo forçou a alavanca. A bala saiu. O outro morreu.
Que outro ? Tanto faz. A bala é o que importa
Pouca gente sabe mas eu já escrevi muito sobre a Lei Rouanet. À época eu escrevia num blog chamado "Turrar" onde eu falava, basicamente, sobre cultura. O blog hoje está desativado,
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| Esse aí da foto sou eu num monólogo... |
Pois eis que a questão volta à tona.
Para quem não está familiarizado com a lei Rouanet, eu explico e é algo bastante simples. Todo ser humano {{ou empresa}} que tenha intenções culturais pode mandar um projeto para a lei Rouanet. Você {{ou a Bethânia, ou o Gilberto Gil ou Wagner Moura}} preenche os formulários {{chatos, mas bastante simples}} explicando o projeto junto do orçamento e envia para Brasília.
Passa um tempo {{que varia conforme as pessoas que você conhece ou as pessoas que te conhecem}} o projeto é aprovado {{ou volta para você corrigir, repetir o processo até que seja aprovado}}. Lindo! E aí?!
Aí você pega o orçamento aprovado, vai até alguma empresa e diz: "Oi, eu sou Fulano, tenho um projeto cultural aprovado pela lei Rouanet e gostaria do seu patrocínio".
Aqui existem algumas variantes... Mas vamos esclarecer algumas coisas...
Qualquer empresa ou pessoa física pode patrocinar projetos culturais pela lei Rouanet e obter vantagens financeiras a partir disso. Que vantagem? A empresa que apóia vai pegar até 4% do total do seu Imposto de Renda investir no projeto aprovado. Deste 4% uma parte volta para a empresa. Ou seja a empresa tem um desconto no imposto de renda por ter apoiado a cultura no país.
Acontece, senhoras e senhores, que as empresas buscam lucro {{e fazem isso porque são malignas, seu Caipira? Não, moçoilo, fazem isso porque é a função delas...}}. Um projeto cultural, por sua vez busca público. Vejam só que parceria interessante.
Acontece que existem artistas e artistas... Eu, por exemplo, sou um ator completamente desconhecido {{no llores por mi Argentina}}. Caso diferente ocorre com digamos... Maria Bethânia. E ao contrário do que poderia pensar algum ingênuo leitor, não são tantas empresas assim que existem no mundo.
Vou exemplificar, para ver se fica mais claro...
A ALEGRE{{empresa fictícia}} resolveu aderir à lei Rouanet, em busca de um lucro sobre um dinheiro perdido {{imposto de renda}}. Acontece que os 4% de imposto de renda da ALEGRE dá uma generosa quantia. Com essa quantia em mãos os nem tão generosos executivos resolvem abrir inscrições para projetos em seu site. Um budget de...vamos ver... R$1,3 milhão {{já que podemos facilitar, né?!}}.
Eis que a ALEGRE recebe 300 projetos. Como dissemos, o valor que a ALEGRE separou foi de R$1,3milhão. Os analistas da empresa concluem que, com este valor é possível patrocinar 200 peças de teatro {{sendo 100 delas em São Paulo, 50 no Rio de Janeiro e outras 50 pelo Brasil}} ou... pode patrocinar um blog da Maria Bethânia.
Epa!
Analisando os fatos dados no problema acima temos: 1 empresa {{lucro}}, 1 dinheiro e 2 opções {{Bethânia ou 200 peças}}. A empresa vai analisar:
1. O que traz mais dinheiro diretamente falando?
Tanto faz, os dois tem o mesmo retorno, segundo a lei Rouanet.
2. O que traz mais dinheiro indiretamente?
O blog da Bethânia, já que a visibilidade é mundial.
Um projeto vencer uma licitação quando o mesmo dinheiro poderia ser investido para 200 outros projetos já seria injusto por si só. Mas isso não é tudo. Estamos falando de uma artista que não precisa de incentivo governamental para fazer arte, por ter reconhecimento internacional {{merecido!}}.
E não pense você que isso ocorre apenas desta vez... pegue o Circo de Soleil, pegue as peças de atores globais, filmes, etc. São inúmeros projetos, muitos deles com um valor para o público final {{financiador do projeto}} altíssimo...
Agora pergunta se eu acho que a Bethânia está errada... não acho! A lei é que está. Enquanto a lei depender da boa vontade de alguém {{Antonio Fagundes recentemente se recusou a usar financiamento da mesma lei para uma peça, mas fez isso declaradamente por estar 'sem saco de ouvir me chamarem de ladrão'}} ela não vai funcionar.
Ah, sim, lembrei o que eu estava falando na foto do início do post...
Bethânia poderá captar até R$1,3 milhão para um blog {{não acredite em mim}}Deixando a inveja de lado {{e, diga-se, é grande}}eu vejo muito problema nesta situação sim. Mas é preciso esclarecer que a questão não é o blog, nem a Bethânia. O problema maior é a "Lei Rouanet".
Para quem não está familiarizado com a lei Rouanet, eu explico e é algo bastante simples. Todo ser humano {{ou empresa}} que tenha intenções culturais pode mandar um projeto para a lei Rouanet. Você {{ou a Bethânia, ou o Gilberto Gil ou Wagner Moura}} preenche os formulários {{chatos, mas bastante simples}} explicando o projeto junto do orçamento e envia para Brasília.
Passa um tempo {{que varia conforme as pessoas que você conhece ou as pessoas que te conhecem}} o projeto é aprovado {{ou volta para você corrigir, repetir o processo até que seja aprovado}}. Lindo! E aí?!
Aí você pega o orçamento aprovado, vai até alguma empresa e diz: "Oi, eu sou Fulano, tenho um projeto cultural aprovado pela lei Rouanet e gostaria do seu patrocínio".
Aqui existem algumas variantes... Mas vamos esclarecer algumas coisas...
Qualquer empresa ou pessoa física pode patrocinar projetos culturais pela lei Rouanet e obter vantagens financeiras a partir disso. Que vantagem? A empresa que apóia vai pegar até 4% do total do seu Imposto de Renda investir no projeto aprovado. Deste 4% uma parte volta para a empresa. Ou seja a empresa tem um desconto no imposto de renda por ter apoiado a cultura no país.
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| Tá escrito TODOS aí em cima, não está? |
Acontece, senhoras e senhores, que as empresas buscam lucro {{e fazem isso porque são malignas, seu Caipira? Não, moçoilo, fazem isso porque é a função delas...}}. Um projeto cultural, por sua vez busca público. Vejam só que parceria interessante.
Acontece que existem artistas e artistas... Eu, por exemplo, sou um ator completamente desconhecido {{no llores por mi Argentina}}. Caso diferente ocorre com digamos... Maria Bethânia. E ao contrário do que poderia pensar algum ingênuo leitor, não são tantas empresas assim que existem no mundo.
Vou exemplificar, para ver se fica mais claro...
A ALEGRE{{empresa fictícia}} resolveu aderir à lei Rouanet, em busca de um lucro sobre um dinheiro perdido {{imposto de renda}}. Acontece que os 4% de imposto de renda da ALEGRE dá uma generosa quantia. Com essa quantia em mãos os nem tão generosos executivos resolvem abrir inscrições para projetos em seu site. Um budget de...vamos ver... R$1,3 milhão {{já que podemos facilitar, né?!}}.
Eis que a ALEGRE recebe 300 projetos. Como dissemos, o valor que a ALEGRE separou foi de R$1,3milhão. Os analistas da empresa concluem que, com este valor é possível patrocinar 200 peças de teatro {{sendo 100 delas em São Paulo, 50 no Rio de Janeiro e outras 50 pelo Brasil}} ou... pode patrocinar um blog da Maria Bethânia.
Epa!
Analisando os fatos dados no problema acima temos: 1 empresa {{lucro}}, 1 dinheiro e 2 opções {{Bethânia ou 200 peças}}. A empresa vai analisar:
1. O que traz mais dinheiro diretamente falando?
Tanto faz, os dois tem o mesmo retorno, segundo a lei Rouanet.
2. O que traz mais dinheiro indiretamente?
O blog da Bethânia, já que a visibilidade é mundial.
Um projeto vencer uma licitação quando o mesmo dinheiro poderia ser investido para 200 outros projetos já seria injusto por si só. Mas isso não é tudo. Estamos falando de uma artista que não precisa de incentivo governamental para fazer arte, por ter reconhecimento internacional {{merecido!}}.
E não pense você que isso ocorre apenas desta vez... pegue o Circo de Soleil, pegue as peças de atores globais, filmes, etc. São inúmeros projetos, muitos deles com um valor para o público final {{financiador do projeto}} altíssimo...
Agora pergunta se eu acho que a Bethânia está errada... não acho! A lei é que está. Enquanto a lei depender da boa vontade de alguém {{Antonio Fagundes recentemente se recusou a usar financiamento da mesma lei para uma peça, mas fez isso declaradamente por estar 'sem saco de ouvir me chamarem de ladrão'}} ela não vai funcionar.
Ah, sim, lembrei o que eu estava falando na foto do início do post...
Não sou nada.Nunca serei nada.Não posso querer ser nada.À parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo
Ele acordou ainda sem entender o que havia se passado. Olhou para o lado e viu um carro amassado. E respirou aliviado. Ele não tinha carro. O alívio se mostrou fugaz e assim que terminou de abrir os olhos sentiu um calafrio, algo gelado pela espinha.
Olhou no espelho e concluiu que não existia metáforas no momento. Era um escorpião que lhe escalava as costas. Tranquilamente ele tirou o bicho com um pedaço de pau e jogou no mato. Ele estava acostumado. Seu barraco, estava encharcado. As paredes {{ele chamava aqueles papelões que dividiam o mundo e a casa dele, de paredes}} estavam ao chão. A beliche o salvou do frio. A água ia apenas até a metade da distância entre o chão e sua casa.
E teve tempo de olhar no relógio, e descobriu que estava atrasado. E correu, ou melhor, nadou até a casa de seu primo. Ele não gostava mesmo do primo, mas o que é que se podia fazer, ele precisava de roupas para trabalhar. Saiu apressado.
E apressado que estava lembrou de avisar que voltaria para o jantar. E ouviu do primo que só jantaria se trouxesse algo. Que o primo não era sovina, mas que não havia condições de repartir a cesta básica entre 8 pessoas, e que com ele seriam 9. Respondeu que tudo bem, comeria algo na rua.
Correu apressado do primo até o trabalho. E descobriu que havia muita gente esperando por ele. Sentiu-se importante. E foi xingado. Os motoristas resolveram que ele era o culpado. O túnel alagado.
Encontrou com os companheiros de trabalho, todos cansados. E tomou um café quente que esquentou o corpo molhado. E trabalhou horas a fio a pensar que era um absurdo um túnel alagado. E o carro amassado. Comeu também uma bolacha que um companheiro entregou, calado.
E terminou o primeiro turno, estafado.
Doze horas havia se passado. Um café e uma bolacha. Um corpo estafado. E um jantar recusado.
Foi quando viu o companheiro se dizendo cansado. Alegrou o companheiro com uma alegria que ele mesmo não tinha. E voltou para o trabalho. Não se importava com o cansaço, ele precisava de renda extra para, um dia, pagar pelo estrago no carro que fez o seu barraco. Não era de todo culpado, pensou. Mas, afinal, foi sua casa que fez o carro ficar estragado.
Sentiu-se tonto. Lembrou que precisava jantar. E resolveu que o turno ia terminar. Do lado de fora outros motoristas, cheios de razão, continuavam a culpá-lo. O trânsito parado. A cabeça girando, o estômago doendo, as pernas bambas e ele tentando ir embora. Foi quando tropeçou e caiu.
Olhou para o chão e sentiu-se recompensado. O jantar estava comprado.
Era uma vez um planeta chamado Terra. O século é XXI. O ano é 2009. O acontecimento?
Uma noite comum.
Um homem comum vivia sua vida. Comum. Na televisão passava um programa que não devia, mas era comum. O homem se levanta, vai até seu quarto, cumprir sua rotina. Já sabemos, comum.
Aperta o botão e liga seu computador. Ordinário. Liga seu sistema operacional, sem saber exatamente o que há para operar. Senta, ouve uma música e começa a escrever um relatório que não sabe exatamente para que serviria, mas que também não era nada incomum.
E ao chegar em sua cozinha, sua própria cozinha, e pegar um copo e enchê-lo com água gelada e guardar a garrafa na geladeira e tomar um pouco do líquido e sentir-se aliviado, eis que no meio desta série de acontecimentos houve um outro.
E na escuridão de sua própria presença, ali, logo após a fronteira do por do sol não viu-se só. Não viu nada. Um pensamento lhe ocorreu, destes que só uma criação católica, recheada de culpa nos trás.
Pensou e concluiu que não tinha deixado de pagar sua conta. Não. Não era sua culpa. Muito embora ele tivesse saído mais cedo do serviço, dando a desculpa de que precisava entregar um relatório na filial, muito embora tivesse escapado dez minutos mais cedo do que deveria, embora tivesse se sentido mesmo aliviado por escapar um pouco do trânsito, não era sua culpa. NÃO PODIA SER SUA CULPA.
Desligou os aparelhos da tomada, temendo uma pane qualquer. E olhou pela janela. a quanto tempo não olhava sua própria janela? Viu uma cidade que não reconheceu. Viu uma coisa que não era inteiramente comum. Um quê de não sei quê tomava conta das pessoas. Não era a escuridão que tomava as avenidas. Não era a pressa das pessoas em sair das avenidas. Isso tudo era, de certa forma, comum.
Percebeu que no prédio vizinho os vizinhos conversavam. Percebeu que havia um certo medo. Uma certa ansiedade que não era de todo ruim.
Passado o sentimento inicial começou a preocupar-se com as pessoas que gostava. E lembrou-se de ligar para elas. Mas seu telefone não funcionava. E começou a preocupar-se se as pessoas estavam preocupadas com ele. E presumiu que não haveria nada que os fizesse preocupar.
Afinal, era só a luz que faltava.
Acendeu um cigarro e e decidiu dar uma volta. Logo ouviu sirenes e gritos e correrias e gritos e batidas e gritos e um ruído.
Um ruído? a quanto tempo não prestava atenção nos ruídos? Um ruído.Vindo de dentro. Sussurrando. Metade perguntando metade respondendo. a quanto tempo não ouvia sussurros? E percebeu que não adiantava tentar reconhecer seu bairro aquela noite. Não era uma noite comum.
E ao decidir voltar ao seu apartamento com vista para a cidade escura e um tanto desconcertada percebeu que algo mudara. Mas não conseguia ver nem saber o quê.
Subiu quinze andares pé ante pé. Nunca tinha usado as escadas de seu condomínio. Hoje cumpriria a 'via crucis' um andar por ano de vida ali.
E como não podia mais fazer o relatório foi dormir. Com a certeza de que acordaria cedo para finalizá-lo.
Mas o despertador não tocou. Não que fosse exatamente um problema ele havia mesmo acordado com o Sol. a quanto tempo não acordava com o Sol? Mas aquilo não era comum. Olhou seu despertador e viu que ele não ligara. Não sabia bem a que horas havia ido dormir, mas a luz devia ter voltado.
Ligou a televisão. Que não ligou. Olhou pela janela e viu os semáforos desligados. Não era possível. Tomou um banho gelado. Era preciso se manter na rotina. Gelada rotina. E ao chegar no trabalho lembrou-se de que não havia relatório.
Pegou uma caneta e escreveu. E antes que pudesse apagar o que havia escrito canetas não pagam o bilhete voou. Como se o destino interferisse. Como se deus quisesse que o bilhete não fosse rasurado. Como se a fortuna tornasse o bilhete uma passagem sem volta.
E atravessou a porta. E descobriu que o caminho se faz caminhando. a quanto tempo sabia disso?
A luz voltou logo em seguida. Ele não.
Papa Bento XVI toma posição inédita na Igreja Católica e admite o uso de camisinhas em alguns {{pouquíssimos}} casos. “Um pequeno passo para um homem e um grande passo para a humanidade”?!
Uma reflexão a respeito do porquê da existência de um feriado para a consciência negra e as diferenças sociais entre brancos e negros em ambientes similares, além, é claro, de uma leve espezinhada na imprenÇa.
Marina Silva {{ou um de seus assessores}} se complica ao comentar os comentários {{???}}, sobre a morte de Saramago, no Twitter.
Morre José Saramago aos 87 anos. Conheça um pouco da vida deste autor e um vídeo que pouca gente conhece baseado num infantil do autor.
Como o pensamento de poucos influenciam muitos. E que resultados isso trás...
A nova onda do imperador é dizer que o Jingle Globo 45 anos é / foi uma campanha subliminar da rede Globo à José Serra.
Sim, os professores terão desconto salarial por conta da greve que não existia.
A questão veio à tona depois do jogador Danilo ter chamado Manoel (no jogo Palmeiras x Atlético Paranaense) de macaco...
Não caro leitor, rara leitora. Não é piada. Uma "excelente" matéria da Globo (assista ao vídeo no post) mostrou o absurdo que é ao aumento da inflação em classes...digamos... MAIS favorecidas da sociedade...
"Mas olhem só vocês, quando derem vez ao morro, toda cidade vai cantar..."
Não são poucos os fãs fanáticos [são tão fanáticos que justificam o pleonasmo] do CQC, outros nem tão fanáticos do Casseta e Planeta, e outros programas humorísticos. Opa! CQC é humor? Ou jornalismo? Ou ambos?
Não é de hoje que a educação se tornou, de uma maneira geral, um grande proibir. Uma menina foi estuprada/molestada sexualmente, porque estava usando a pulseira do sexo? A solução parece simples, é só proibir, mas até onde vamos com isso?
Na última quinta-feira o time do Santos deveria ter feito uma boa ação, mas os meninos da vila mostraram que são exatamente isso, meninos, e recusaram-se a dar ovos de páscoa à crianças com paralisia cerebral.
Sim, meu polvinho. Ousei utilizar a expressão da ImpresÇa para falar da greve. O fiz de modo provocativo e, como sempre, fui surpreendido por leitores que perceberam o erro e me disseram. Alguns por e-mail outros pelo twitter... hoje me explico.






